quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vasco termina a década com o pior desempenho

Ver os dois maiores rivais comemorando título brasileiro em 2009 e 2010 poderia ser apenas uma chateação para os vascaínos, mas se tornou um toque de crueldade em uma década repleta de frustrações e praticamente sem alegrias. O sucesso de Fluminense, campeão neste ano, e Flamengo contrasta com uma época de vacas magras em São Januário.
A década atual, que se encerra daqui a 10 dias, fica marcada como a pior da história do Vasco desde que começou a disputar o Carioca na Primeira Divisão, em 1923 (confira infográfico abaixo). O clube conquistou apenas um título na elite, o estadual de 2003, e colecionou campanhas medíocres no Campeonato Brasileiro, ficando apenas duas vezes entre os dez primeiros. O fracasso culminou com o rebaixamento em 2008, um golpe e tanto na autoestima do tetracampeão nacional, que se gabava de ter participado de todas as edições desde 1971 e nunca ter disputado a Segundona. Disputou, em 2009, e ficou em primeiro lugar.


Em âmbito internacional, o Vasco mal deu as caras nestes dez anos. Disputou a Libertadores apenas em 2001, fruto do título da temporada - e década - anterior. Na inchada Sul-Americana, teve quatro participações, mas parando na fase nacional em três delas.
Foi uma década também de dificuldades financeiras, brigas políticas, contratações de muita quantidade e pouca qualidade, diminuição da torcida e reinado de dois ídolos veteranos, Romário e Edmundo. Para explicar o que aconteceu nesse período turbulento, o GLOBOESPORTE.COM publicará nos próximos dias matérias especiais e duas entrevistas, com os mandatários nesse período, Eurico Miranda e Roberto Dinamite.
Antes da década perdida, uma década de ouro
Romário e Juninho Paulista comemorando pelo Vasco 

Juninho Paulista e Romário comemoram gol na
final da Mercosul de 2000 (Foto: Getty Images)
Para os vascaínos, a virada do século foi uma queda do céu para o inferno. A década 2001-2010 foi antecedida por anos de seguidas comemorações, com o título do Brasileiro em 1997, do Carioca e da Libertadores em 1998 (ano do centenário), do Torneio Rio-São Paulo em 1999 e de mais um Brasileiro e da Copa Mercosul em 2000.
No entanto, o fim do patrocínio do Bank of America - com rescisão unilateral de contrato, por parte do Vasco, após acusações dos dois lados de dívidas não pagas - deixou o clube sem chão após os investimentos milionários no time de futebol e num projeto olímpico, que incluía também modalidades como rodeio, boliche e windsurfe.
- Isso é o reflexo da falta de compromisso. Chega uma hora em que vai estourar. Em 2000, o Vasco tinha uma baita de uma equipe, mas 99% daqueles jogadores deixaram o clube com dinheiro por receber. Isso vai acumulando, acumulando, até que fica insustentável. Aí sai um, sai outro, e, se não entra ninguém no mesmo nível, a situação fica difícil. Os jogadores se comunicam. Um fala com o outro, pergunta como funciona, se paga em dia, se tem estrutura. Claro que isso contribuiu para que o Vasco não conseguisse formar grandes times depois. Os grandes jogadores, que têm muito mercado, optavam por outras equipes - explica Juninho Paulista, que deixou a equipe no fim de 2001.
Em 2000, o Vasco tinha uma baita de uma equipe, mas 99% daqueles jogadores deixaram o clube com dinheiro por receber"
Juninho Paulista
Primeiro a sair após o título brasileiro de 2000, Juninho Pernambucano também aponta a questão salarial como um problema para a escassez de títulos na década. Mas adota um tom nem tão pessimista, argumentando que o Vasco formou alguns bons times e que se aproximaram da classificação para a Libertadores. E aposta num 2011 com motivos para festejar:
- Com certeza, a fase de transição de um time vencedor e competitivo para outro atrapalha. Os mais jovens precisam abraçar esta responsabilidade, mas isso demanda tempo. É bom lembrar que, antes do título brasileiro de 1997, o último havia sido conquistado em 1989, portanto oito anos antes. Vieram alguns bons nomes, o time encaixou com gente jovem da base, qualificada e bem escolhida, e chegamos longe. Não há uma fórmula mágica, a não ser ter dinheiro e contratar os melhores, o que às vezes não é possível. O Vasco passou e passa por um momento de transição, e 2011 será um grande ano pela base montada neste segundo semestre.

0 comentários: